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Colposcopia  

O que é a Colposcopia?

A Colposcopia é um exame no qual examinamos a vagina e o colo do útero através de um aparelho que funciona como uma lente de aumento, permitindo ao médico, após a aplicação de substâncias reagentes, identificar alterações muito pequenas, chamadas de subclínicas, que não são vistas a olho nu pelo ginecologista. Pode ser precedido do exame da vulva, usando o mesmo aparelho, uma lente ou mesmo a olho nu de forma minuciosa.

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Figura 1 – Visão do colo do útero e paredes vaginas
durante exame ginecológico utilizando um Colposcópio,
com pequeno aumento (Instituto Fernandes Figueira, 1994).

Basicamente é idêntico ao exame ginecológico, no qual utilizamos também um espéculo vaginal (também conhecido como "bico-de-pato") para ver o interior da vagina e o colo uterino (figura 1).

lsil.jpg
Figura 2 – Visão do colo do útero com alterações menores
(pequena área esbranquiçada logo acima da fenda central,
que é o orifício do colo por onde sai a menstruação),
utilizando um Colposcópio, com maior aumento
(Fábio Russomano, 2002).

Na figura 2 mostramos o colo com maior aumento e uma pequena área de alteração menor, representando uma lesão de baixo grau. O Colposcópio (figura 3) não entra em contato ou é colocado dentro da paciente.

O médico olha através dele, a cerca de 30 cm da superfície que está sendo examinada. Durante o exame, também poderão ser feitas fotografias, para que seu médico possa ver as alterações descritas da mesma forma que o médico colposcopista.

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Figura 3 – Exame utilizando um Colposcópio
(Instituto Fernandes Figueira, 2006).

 

Por que realizar uma colposcopia?

Muito provavelmente seu médico solicitou este exame porque seu preventivo mostrou alguma alteração e o objetivo do colposcopista é esclarecer que alteração é esta, onde está localizada, sua extensão e sua natureza, se benigna, pré-maligna ou maligna. Como normalmente estas lesões são muito pequenas, não são visíveis a olho nu e precisam ser procuradas através de aumento ótico, o que é feito pelo colposcópio.
 
 
Em outros casos, o médico assistente solicita o exame para esclarecer algum aspecto que ele observou no exame rotineiro.
 
 
Autor: Fábio Russomano
Última atualização: 12/02/2009.
 
 
 
Quais são as causas de anormalidade do preventivo?
 
 
Na maioria das vezes, as alterações do exame preventivo, também conhecido como "exame de lâmina" ou exame de Papanicolaou, são de natureza inflamatória ou infecciosa e podem ser avaliados durante o exame ginecológico comum e tratados pelo médico assistente.
 
 
O exame preventivo tem a função de detectar as lesões consideradas precursoras do câncer do colo uterino. São lesões com possibilidade de evoluir para o câncer em alguns meses ou anos se deixadas sem tratamento. É neste sentido que ele é considerado preventivo: ao denunciar a existência destas lesões, podemos tratá-las e impedir que evoluam até o câncer.
Em algumas mulheres, porém, o preventivo pode detectar uma lesão relacionada ao HPV. Estas lesões são atualmente divididas entre "lesões de baixo grau" (também denominadas LSIL – de Low Grade Squamous Intraepithelial Lesions - ou SIL I, Neoplasia Intraepitelial Grau I - NIC I, Infecção pelo HPV ou Displasia Leve) e "lesões de alto grau" (também denominadas HSIL – de High Grade Squamous Intraepithelial Lesions - ou SIL II, Neoplasia Intraepitelial Grau II - NIC II, Neoplasia Intraepitelial Grau III - NIC III, Displasia Moderada/Acentuada/Carcinoma in situ). Apesar do nome assustador, o carcinoma in situ denota uma lesão pré-maligna e, pela conotação de malignidade do termo “carcinoma”, tem sido evitado.
 
 
As lesões de baixo grau são muito frequentes e normalmente não oferecem maiores riscos, tendendo ao desaparecimento mesmo sem tratamento na maioria das mulheres. Por este motivo, alguns ginecologistas preferem repetir o exame preventivo em alguns meses. Outros, porém, optam por recomendar a realização de uma colposcopia pela pequena possibilidade de ser encontrada uma lesão de alto grau não suspeitada pelo preventivo.
 
 
Ambas as abordagens têm vantagens e desvantagens: ao preferir repetir o preventivo alguns meses depois, os médicos evitam a realização da colposcopia em muitos casos, mas pode adiar o diagnóstico de lesões mais graves que possam ter passado despercebidas no preventivo. Esta é a recomendação do Ministério da Saúde do Brasil. Ao encaminhar imediatamente para colposcopia perdem menos diagnósticos, mas submetem mais mulheres a exames que podem mostrar-se desnecessários. Converse com seu médico e exponha suas preferências e expectativas.
 
Já as lesões de alto grau, têm um risco relevante de progredirem para o câncer do colo de útero caso não tratadas. Por este motivo são também chamadas de lesões precursoras, pré-invasivas ou, simplesmente, pré-malignas. Nestes casos é recomendável realizar uma colposcopia logo que sejam suspeitadas.
 
Também se incluem entre as lesões precursoras do câncer do colo uterino as chamadas neoplasias intra-epiteliais glandulares ou adenocarcinoma in situ.
 
Este grande número de nomes é resultado de várias nomenclaturas que se sucederam ao longo dos anos e cada laboratório ou médico utiliza a que julga mais conveniente ou aquela a que está mais familiarizado. Os termos “carcinoma” e “neoplasia”, indicam malignidade, mas, seguidos dos termos “intraepitelial”ou “in situ”, indicam que ainda não há características do câncer.
 
A nomenclatura mais antiga, que classificava o resultado do preventivo em classes já quase não é mais utilizada porque as "classes III e IV" incluem desde lesões pouco importantes (as de baixo grau), até lesões pré-malignas (as de alto grau).
 
Outros diagnósticos possíveis são ASCUS (Atypical Squamous Cells of Undetermined Significance) e AGUS (Atypical Glandular Cells of Undetermined Significance). Estes diagnósticos refletem dúvida diagnóstica do médico (citopatologista) que examinou o material obtido pelo ginecologista: existem certas alterações celulares, mas não preenchem todos os critérios diagnósticos para sugerirem doença. Assim optam por apontar a dúvida e fica a critério do médico assistente prosseguir na investigação solicitando uma colposcopia ou repetindo o preventivo alguns meses depois.
 
Mais recentemente estes diagnósticos têm sido subdivididos em mais duas subcategorias: “atipias de significado indeterminado, possivelmente não neoplásicas”(ou ASC-US) e “atipias de significado indeterminado, não sendo possível afastar lesão de alto grau”(ou ASC-H). No primeiro caso, as alterações observadas pelo citopatologista parecem estar relacionadas a processos inflamatórios, regenerativos ou até à presença do HPV sem lesão precursora do câncer. Raramente uma estará presente uma lesão pré-maligna. Na segunda possibilidade, o citologista não está seguro quanto à inexistência de uma lesão pré-maligna e é recomendável realizar uma colposcopia em seguida.
 
Outra possibilidade é a sugestão de que existe uma doença maligna (câncer, carcinoma escamoso, adenocarcinoma) no colo uterino. Nestes casos, a colposcopia é imperiosa e pode estar presente uma lesão maligna ou pré-maligna.
 
Nenhum destes diagnósticos do preventivo é definitivo e a conclusão quanto à existência ou não de doenças pré-malignas ou malignas é feita em exame de amostra retirada da área doente (biópsia), visível através da colposcopia, ou, ainda após a retirada de toda a área doente, no caso de lesões que acabam indicando algum tratamento (exérese da zona de transformação ou Cirurgia de Alta Freqüência ou, ainda, conização do colo uterino).
 
Autor: Fábio Russomano
Última atualização: 12/02/2009.
 
Quando a colposcopia é necessária?
 

A recomendação atual do Ministério da Saúde/Instituto Nacional de Câncer - INCA (Nomenclatura brasileira para laudos cervicais e condutas preconizadas - recomendações para profissionais de saúde - 2006) é de que a colposcopia é recomendável em seguida a um preventivo mostrando lesão de alto grau, atipias de significado indeterminado em células escamosas não se podendo afastar lesão de alto grau (ASC-H, do equivalente em inglês), atipias de significado indeterminado em células glandulares ou câncer. Quando a conclusão é de lesão de baixo grau, atipias de significado indeterminado em células escamosas possivelmente não neoplásicas (ASC-US, do equivalente em inglês) ou atipias de significado indeterminado em células escamosas sem especificação (ASCUS, do equivalente em inglês), a recomendação é de que o preventivo seja repetido em 6 meses e, caso o resultado se repita ou piore, aí sim a paciente deve ser encaminhada para realização da colposcopia.
 
Todavia, alguns médicos costumam encaminhar para colposcopia todas as pacientes com alterações não inflamatórias do preventivo. Esta conduta tem a vantagem de logo concluir o diagnóstico, possibilitando a adoção de um tratamento, se for necessário e reduzindo a ansiedade da espera. Apesar de, nesta conduta, serem feitos mais exames, alguns diagnósticos importantes não são deixados para depois e evitam a perda de seguimento (situação em que a paciente deixa de fazer o preventivo alguns meses depois e pode perder a oportunidade de fazer o diagnóstico e tratar alguma lesão mais relevante no tempo adequado). Também tranqüiliza, nos casos em que concluímos que não há uma lesão maligna ou pré maligna. As duas posturas são defensáveis e devem ser indicadas conforme as expectativas de cada paciente numa base individual.
 
As recomendações do Ministério da Saúde também têm importantes vantagens: como a maioria das lesões de baixo grau tende a regredir mesmo sem tratamento, ao deixar de encaminhar para colposcopia, o médico assistente dá à cliente a chance de que a lesão regrida, evitando exames talvez desnecessários. Também permite que os serviços de colposcopia estejam mais disponíveis para receber mulheres com maior probabilidade de ter lesões de alto grau, atendendo-as mais rapidamente, que são aquelas em que o preventivo sugere lesões mais importantes.
 
Já em situações em que a imunidade está seriamente comprometida, como pacientes infectadas pelo HIV ou em uso de imunossupressores (p.ex.: transplantadas, portadoras de doenças auto-imunes), as lesões pré-malignas são mais freqüentes. Nesta situação, a colposcopia estará indicada sempre que houver qualquer alteração não inflamatória do colo uterino. Converse com seu médico assistente.
 
Autor: Fábio Russomano
Última atualização: 12/02/2009.
 
Como fazer uma colposcopia?
Para fazer uma colposcopia, seu médico deve solicitar ou encaminha-la para um serviço de Patologia Cervical e Colposcopia ou para um médico colposcopista.
 
Existem vários serviços públicos que oferecem este exame, normalmente recebendo pacientes através de encaminhamento segundo as recomendações do Ministério da Saúde (veja “Quando a colposcopia é necessária?”). Informe-se na Secretaria de Saúde de seu município ou com seu médico assistente.
 
O exame pode ser feito em qualquer época, desde que não esteja menstruada, mas procure marcar seu exame para cerca de 8 a 14 dias após o início de seu último período menstrual, porque esta é a fase do ciclo em que estão presentes as melhores condições para o exame. Caso você esteja em uso de pílula anticoncepcional ou não menstrue mais, o exame pode ser feito em qualquer época, mas pode ser interessante utilizar um preparo com um medicamento à base de estrogênio (você pode obter informações ao marcar o exame ou com seu médico assistente). Também não há época ideal no caso de você estar grávida e não há qualquer contra-indicação para este exame durante este período.
 
Também é ideal que você já tenha tratado algum processo inflamatório. Portanto, caso seu médico tenha prescrito algum medicamento, utilize-o e dê um intervalo de pelo menos 5 dias antes de fazer a colposcopia, pois os processos inflamatórios e os cremes vaginais prejudicam este exame.
 
Lembre-se, ao escolher a data do exame, que se for necessário fazer uma biópsia (figura), você deverá evitar relações sexuais com penetração vaginal por cerca de 7 dias. No dia do exame, não deixe de levar o resultado do preventivo que motivou a colposcopia. Alguns resultados mudam a conduta do examinador.
 
colposcopia_final_do_texto_principal_figura.jpgFigura – Biópsia de uma área anormal do colo do útero, sob anestesia local (aumentado 3 vezes) (Instituto Fernandes Figueira, 1994).












 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Autor: Fábio Russomano
Última atualização: 12/02/2009.

 
 
Quanto tempo dura o exame e o que acontece depois?
 
 

O exame em si, sem contar a entrevista com o médico examinador, leva cerca de 10 minutos. Caso seja feita uma biópsia, pode levar mais 3 minutos. No total, entre entrevista, troca de roupa e exame, você vai perder cerca de 30 minutos.
 
Após o exame, o médico lhe falará sobre o que viu e o que foi feito. Caso você tenha feito uma biópsia, poderá ter um pequeno sangramento, "aguado" ou mais escuro. Não se preocupe, isto pára em alguns dias. Você também deverá evitar as relações sexuais com penetração vaginal por cerca de 7 dias. Você poderá deixar o serviço médico desacompanhada e ir trabalhar ou passear, se quiser.
 
Converse com o médico que a examinou para saber quais serão as próximas etapas de sua investigação ou tratamento.
 
Autor: Fábio Russomano
Última atualização: 12/02/2009.

 
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